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O sistema educacional da era da Revolução Industrial e o desenvolvimento infantil


educação infantil

O modelo do nosso sistema educacional foi desenvolvido na era da Revolução Industrial e do iluminismo. Ele se baseia na concepção de que o ambiente escolar deveria se assemelhar aos modelos de fábricas industriais, para que a formação social das crianças pudesse assimilar desde muito cedo, o futuro modelo de emprego no qual, quando adultos, deveriam atuar como trabalhadores. Atualmente nosso modelo educacional se encontra, portanto, obsoleto frente a modernização, automatização das fábricas, e à forma como as pessoas vêm desenvolvendo modernas maneiras de trabalho, muito diferentes daquelas oferecidas como emprego anteriormente.

Em muitos países, inclusive no Brasil, a oportunidade que as pessoas têm, de se desenvolverem como autônomas em diversas áreas de atuação, favorece que o trabalhador possa ser o seu próprio chefe, empresário e empregador de trabalhadores terceirizados. Esta é uma forma de favorecer a pessoa como trabalhadora ao invés de empregada, e extingue, portanto, completamente, o modelo industrial padronizado de séculos passados.

Mas para que os alunos estejam preparados para este novo modelo de mercado, no qual eles mesmos deverão desenvolver o seu próprio projeto de trabalho modernizado, é preciso que desenvolvam também, a imaginação e a criatividade, um desafio para os professores e educadores que se encontram até hoje, encaixados num sistema ultrapassado de ensino.

A maneira como nossos cérebros digerem o mundo para produzir as novidades não se encontram em harmonia com a forma de ensino nas nossas escolas. Este sistema utilizado hoje, oferece muito pouco para os nossos cérebros se alimentarem, e pior ainda, comumente nos enfiam goela abaixo, uma dieta de regurgitação maçante e desinteressante, que gerará uma sociedade carente e faminta por inovadores.

Como desenvolver a criatividade em sala de aula num sistema educacional ultrapassado

Felizmente, não é preciso rasgar os planos de aula, ou, nos rebelarmos contra a forma de ensino atual de maneira drástica, basta reconhecer que, usando a plataforma antiga, é possível incentivar nossos alunos a desenvolver, não apenas raízes, mas também asas.

Nas aulas de arte por exemplo, é importante que os alunos saibam e possam reconhecer uma maçã, no entanto, ao tentarem reproduzi-la artisticamente, é muito mais interessante permitir que possam interpretá-la. Então, a maçã não será somente uma maçã copiada da realidade, com seu formato arredondado e um pequeno cabo saliente de seu centro, uma lembrança de que a fruta foi cortada de seu galho, mas também, uma maçã interpretada com a criatividade que envolve os interesses pessoais de cada um. Raízes e asas. De repente o aluno e o professor compreendem que ter autenticidade e perspectivas únicas, traz ao mundo uma novidade.

Mas é claro que não é só nas aulas de arte que o pensamento criativo poderá ser estendido. É possível utilizar o mesmo conceito em História, estimulando o aluno a criar uma versão do conto dos “Três porquinhos” do ponto de vista do Lobo mau, ou, uma versão histórica do ponto de vista dos índios em relação aos jesuítas. Nos Estados Unidos há um projeto que pode ser utilizado facilmente como forma de incentivar os alunos a desenvolver a criatividade, o projeto “vela das sementes”, foi idealizado pela Sociedade Botânica da América, e promove formas e maneiras criativas de dispersar sementes pela natureza. O experimento envolve o estudo sobre como as sementes se dispersam naturalmente e quais dispositivos naturais elas utilizam para sua multiplicação. Um exemplo de como as sementes utilizam mecanismos naturalmente inteligentes é o modo como algumas possuem aerodinâmica para alcançar longas distâncias sendo carregadas pelo vento, ou como outras podem se grudar aos pelos de animais para serem distribuídas pelo seu caminho. Uma vez que este estudo de reconhecimento é determinado, os alunos passam a compreender o mecanismo natural de propagação das plantas e a partir deste conhecimento são desafiados a desenvolver formas de propagação a partir de sua própria criatividade. Todos os experimentos desenvolvidos pelos alunos são colocados em prática para serem analisados e aprimorados, gerando comparativos e debates que desenvolvem o pensamento crítico saudável.

É possível desenvolver também, projetos relacionados com os desafios atuais do nosso cotidiano como, o destino do nosso lixo, a manutenção da natureza, soluções que colaboram para o fim da fome no mundo… “e se todos soubessem como cultivar uma horta em casa?”.

O Brasil é um país rico com potencial para gerar incríveis inovadores para o mundo. Cada professor, fará cada vez mais, parte da formação de pessoas capazes de desenvolverem-se dignamente para a inovação e desenvolvimento social do planeta. Respeitemos portanto, a capacidade intelectual de cada aluno, e sejamos representados por eles no futuro.


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